Decisão do STF determina quebra de sigilos, suspensão de empresas e envio de dados bancários da Alcazar Holdings; investigados negam irregularidades
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (23) o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz. O advogado enfrenta uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
Além disso, Moraes ordenou que bancos forneçam informações sobre contas de empresas ligadas à Alcazar Holdings. Uma dessas contas tinha o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, cadastrado como “usuário master”, segundo dados encontrados pela Polícia Federal (PF).
Flávio e Willer são amigos, mas negam manter negócios em conjunto. No entanto, os investigadores buscam esclarecer a relação financeira entre os dois.
Moraes determina bloqueio de bens e quebra de sigilos A decisão do STF vai além do bloqueio financeiro. Moraes autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de Willer Tomaz e de empresas relacionadas ao advogado.
A medida abrange Alcazar Brasil Ltda., Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Catedral – Holdings SGPS.
Além disso, o ministro determinou o cancelamento dos passaportes do investigado, incluindo um documento diplomático. Também suspendeu as atividades econômicas, financeiras e empresariais das companhias alcançadas pela decisão.
Outro ponto estabelece o envio de dados bancários ao STF em até 24 horas. Para cumprir a ordem, os bancos deverão informar os titulares e cotitulares atuais e anteriores das contas. A determinação destaca empresas vinculadas à estrutura da Alcazar.
Polícia Federal investiga cadastro de Flávio Bolsonaro A PF avançou na investigação após encontrar e-mails em arquivos digitais associados a Willer Tomaz. As mensagens mencionam o cadastro de Flávio Bolsonaro como “usuário master” de uma conta no Santander.
A Alcazar Holdings mantinha a conta, enquanto Willer administrava a estrutura financeira da empresa.
Segundo os investigadores, esse tipo de perfil pode permitir acesso relevante e gerenciamento da conta. Os registros indicam que o cadastro teria permanecido ativo até maio de 2025. Naquele período, um e-mail solicitou a exclusão do acesso.
Diante disso, a PF avalia se o cadastro pode indicar eventual participação econômica ou societária de fato do senador na empresa. Contudo, essa hipótese ainda depende do esclarecimento dos fatos.
Além dos registros bancários, a corporação identificou informações sobre festas, encontros e reuniões entre Flávio e Willer. Também encontrou dados sobre pagamentos de viagens do parlamentar. Por isso, os investigadores analisam esses elementos em conjunto com as demais evidências.
Saída do Brasil motivou medidas cautelares As medidas também consideram a saída de Willer Tomaz do Brasil, em agosto. Na ocasião, o advogado já era alvo de apurações relacionadas à Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo os investigadores, a saída do país poderia dificultar a preservação de provas. A preocupação envolve principalmente fundos e empresas constituídos no exterior.
Por essa razão, o STF determinou o levantamento de informações financeiras e societárias. Dessa forma, os investigadores pretendem identificar os responsáveis pelas contas e esclarecer os vínculos entre as empresas.
Defesa de Willer Tomaz contesta decisão Em nota, a defesa de Willer Tomaz classificou as medidas como “desproporcionais”. Os advogados argumentam que a suspensão das empresas representa punição antecipada, sem acusação formal, processo ou condenação.
Além disso, a defesa sustenta que a investigação não encontrou elementos que relacionem o advogado às fraudes no INSS. Segundo os representantes, as apurações passaram a examinar sua vida pessoal e profissional de forma indiscriminada.
Em relação a Flávio Bolsonaro, os advogados negaram que o senador tenha sido “usuário master” da conta da Alcazar. A defesa afirma que os dois são amigos, mas nunca movimentaram recursos um do outro.
STF amplia apuração sobre movimentações financeiras Com a decisão, o Supremo amplia o levantamento de informações sobre as contas e empresas ligadas a Willer Tomaz. A partir desses dados, os investigadores pretendem esclarecer quem tinha acesso às contas e quais vínculos existiam entre os envolvidos.
No entanto, a investigação ainda precisa esclarecer as suspeitas e verificar a eventual participação de cada pessoa. As medidas judiciais, por si só, não representam uma condenação.
Por fim, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam as irregularidades apontadas. Enquanto as defesas contestam informações centrais do caso, a Polícia Federal prossegue com a análise dos registros financeiros.