A Central Única dos Trabalhadores do Amazonas (CUT) que representa quase 700 mil trabalhadores no Amazonas entre eles trabalhadores da industrias, trabalhadores industrias rurais, pescadores e funcionários públicos, representando 108 sindicatos nesse setor, apresentou representação ao Conselho Nacional de Justiça pedindo apuração sobre a decisão que suspendeu serviços de manutenção da BR-319. O presidente da CUT no estado, Valdemir Santana, lidera a iniciativa e defende a continuidade das ações de infraestrutura consideradas estratégicas para a região.
A Central Única dos Trabalhadores do Amazonas protocolou o documento no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Assim, o caso ganhou relevância institucional por envolver infraestrutura e políticas públicas federais.
Entenda o caso da BR-319 A controvérsia surgiu após decisão liminar suspender pregões eletrônicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) voltados à manutenção da rodovia. A CUT/AM afirma que a medida interrompeu atos administrativos ligados à conservação da estrada e, consequentemente, elevou riscos à logística regional, à segurança viária e à economia local.
O documento destaca que a liminar interrompeu os pregões DNIT nº 90127 a 90130/2026. Com isso, serviços considerados urgentes deixaram de avançar e aumentaram as preocupações com a mobilidade regional. A BR-319 não é uma estrada nova. Ela já existe há mais de 50 anos. A rodovia foi construída na década de 1970 e inaugurada em 1976 para ligar Manaus (AM) a Porto Velho (RO), criando uma conexão terrestre entre o estado do Amazonas e o restante do país.
Desde então, a estrada nunca deixou de existir. No entanto, ao longo das décadas, a falta de manutenção adequada fez com que longos trechos se deteriorassem, especialmente na parte central da via. Por isso, o debate atual não trata da criação de uma nova rodovia, mas sim da recuperação, manutenção e pavimentação de uma estrada que já faz parte da infraestrutura brasileira há meio século.
Revogação da liminar pelo TRF1 O caso seguiu para segunda instância e a Presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região revogou a liminar. Dessa forma, o tribunal autorizou a continuidade do processo licitatório e reforçou a necessidade de manter a política pública de infraestrutura.
O TRF1 considerou o risco de lesão à ordem pública e à economia. Além disso, o tribunal destacou o impacto direto na logística regional e na segurança viária. Por fim, os magistrados apontaram que a paralisação ampliaria a degradação da rodovia e elevaria custos futuros de manutenção.
Debate sobre competência da Vara Ambiental Na representação, a CUT/AM, segundo a entidade, o processo envolve licitações e atos administrativos federais, matérias que pertencem às varas cíveis federais.
A entidade também afirma que a decisão interferiu diretamente em política pública federal e em processos administrativos do DNIT. Assim, a CUT defende que o Judiciário deve limitar a atuação ao controle de legalidade, sem avançar sobre o mérito administrativo quando não há ilegalidade ou abuso comprovado.
Licenciamento ambiental e legislação citada A representação destaca a Lei nº 15.190/2025, que dispensa licenciamento ambiental para serviços de manutenção em rodovias existentes. Com base nessa norma, a CUT/AM afirma que não existe fato ambiental superveniente que justifique a suspensão das obras.
Esse entendimento reforçou a decisão do tribunal ao permitir a continuidade dos serviços de manutenção.
Pedido ao CNJ Advogados da entidade assinaram o documento e protocolaram o pedido em Manaus no dia 30 de abril de 2026.
Importância estratégica da rodovia A BR-319 integra a região Norte e conecta o Amazonas ao restante do país. Dessa forma, a rodovia influencia diretamente o transporte de pessoas, insumos e mercadorias.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que segue empenhado na pavimentação da BR-319. A proposta busca garantir a ligação terrestre do Amazonas com o restante do país, reduzindo o isolamento logístico da região e fortalecendo a economia e a mobilidade.
O debate sobre a estrada envolve desenvolvimento regional, logística, meio ambiente e políticas públicas de infraestrutura. Portanto, o tema continua em análise no Judiciário e em órgãos de controle.