Governo federal amplia operação contra incêndios florestais, mobiliza mais de 600 profissionais e cria comando conjunto em Manaus. Além disso, Ministério da Saúde prepara reforço no atendimento à população afetada pela fumaça.
O governo federal anunciou, neste domingo (18), o reforço das operações de combate às queimadas no Amazonas. A mobilização contará com 16 aeronaves, quatro esquadrões de helicópteros, dois navios e mais brigadistas. Além disso, a operação reunirá mais de 600 profissionais nas ações de combate ao fogo e fiscalização ambiental.
O anúncio ocorreu durante uma reunião entre representantes dos governos federal e estadual, na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), na capital amazonense. Na ocasião, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, confirmou a criação de um Estado-Maior Conjunto para coordenar as ações.
Com essa medida, o governo pretende agilizar as decisões e integrar o trabalho das Forças Armadas e dos órgãos ambientais. Dessa forma, as equipes poderão organizar melhor a distribuição de equipamentos e profissionais diante do avanço dos incêndios florestais e da fumaça que atinge Manaus.
Forças Armadas ampliam estrutura de combate ao fogo O número de aeronaves destinadas à operação aumentará para 16. Inicialmente, o planejamento previa seis unidades. Posteriormente, o governo elevou esse número para 11 e, agora, anunciou mais um reforço.
Entre os equipamentos estão aviões de grande porte, capazes de lançar água sobre áreas atingidas pelas chamas. Além disso, helicópteros ajudarão no combate direto aos incêndios e no transporte de equipes. Dois aviões de apoio logístico também estão sendo deslocados de Anápolis (GO) e São Paulo para a região.
A operação contará ainda com dois navios para transportar militares, brigadistas e equipamentos. Paralelamente, as Forças Armadas mobilizarão profissionais treinados para atuar nas áreas atingidas.
Segundo o governo federal, o efetivo militar que participará diretamente da operação ainda está em fase de dimensionamento. No entanto, a nova estrutura de comando já começou a funcionar em Manaus.
Com a criação do Estado-Maior Conjunto, o Ministério da Defesa pretende concentrar o planejamento e facilitar a comunicação entre as instituições. Assim, as autoridades esperam reduzir a burocracia e acelerar as respostas aos focos de incêndio.
KC-390 Millenium é equipado com dispositivo para lançar milhares de litros de água no fogo. — Foto: FAB/Muller Marin Ibama aumenta fiscalização no Amazonas Além do reforço militar, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ampliará a presença de agentes em campo. A previsão é elevar o efetivo do órgão para 450 profissionais.
Somadas as equipes militares, ambientais e demais profissionais envolvidos, a operação deverá ultrapassar 600 pessoas. Dessa maneira, o governo pretende ampliar tanto o combate direto às chamas quanto a fiscalização de áreas com registros de queimadas.
No início da operação, em 10 de outubro, as autoridades haviam anunciado a participação de 190 profissionais. Portanto, o novo planejamento representa uma ampliação significativa da mobilização.
Ao mesmo tempo, a Polícia Federal mantém três inquéritos para investigar os incêndios. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também colabora com a PF na análise de informações que possam esclarecer as possíveis motivações dos focos de fogo.
Durante a coletiva, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou a participação da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Segundo ele, a integração das três forças representa um avanço na resposta à crise ambiental.
Questionado sobre uma possível intervenção federal no Amazonas, o ministro afirmou que as medidas adotadas são suficientes, neste momento, para enfrentar a situação.
Força Nacional do SUS reforça atendimento em Manaus Enquanto as equipes combatem os incêndios, o Ministério da Saúde acompanha os possíveis impactos da fumaça sobre a população.
Desde 11 de outubro, profissionais da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) atuam no Amazonas em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). Nesse período, as equipes acompanham os atendimentos e avaliam a necessidade de ampliar a assistência.
Além disso, uma base descentralizada da Força Nacional do SUS será instalada em Manaus nesta terça-feira (20). Com isso, o governo pretende fortalecer a capacidade de resposta diante de possíveis problemas de saúde relacionados à fumaça.
Até o momento da coletiva, segundo o representante do Ministério da Saúde, os hospitais avaliados não haviam registrado pacientes em estado grave relacionado à situação.
Governo explica origem da fumaça e pede denúncias O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a fumaça que encobre Manaus está relacionada a incêndios em diferentes regiões. Segundo ele, as condições meteorológicas e as correntes de vento transportam os poluentes até a capital amazonense.
As equipes também atuam em áreas do sul do Pará, incluindo regiões de Itaituba e Santarém. Entretanto, o ministro ressaltou que o reforço no Amazonas não significa interromper as ações de combate ao fogo em outros locais.
Por sua vez, o governador Roberto Cidade afirmou que o Estado mantém diálogo com o governo federal e as prefeituras para intensificar as medidas de prevenção e combate aos incêndios.
Durante a coletiva, Cidade também pediu que a população denuncie pessoas que provoquem queimadas. Para o governador, o investimento em equipamentos e a mobilização de profissionais precisam vir acompanhados da conscientização dos moradores.
“Não adianta todos os dias a gente estar aqui com muitos equipamentos, milhares de homens e mulheres trabalhando, e não conscientizar o nosso povo”, afirmou.
Além disso, o governador incentivou os moradores a registrar possíveis crimes ambientais e encaminhar as informações às autoridades. Dessa forma, o poder público poderá fortalecer a fiscalização e buscar a responsabilização dos envolvidos.
Área afetada por incêndios no Município de Itacoatiara — Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica Campanha de prevenção começa nesta segunda-feira Paralelamente às operações de combate, o governo federal anunciou uma campanha de conscientização sobre queimadas, com início previsto para esta segunda-feira (19).
A iniciativa prevê a divulgação de orientações e o envio de alertas à população. O objetivo é evitar novos focos de incêndio e reduzir os impactos ambientais e sociais provocados pelas queimadas.
Portanto, além do reforço das Forças Armadas e da fiscalização ambiental, as autoridades destacam a importância da prevenção. Afinal, a mobilização de aeronaves, navios e profissionais precisa caminhar junto com medidas capazes de impedir novos incêndios.
Com a ampliação da operação, o governo busca conter o avanço das chamas e reduzir os efeitos da fumaça sobre Manaus e outras regiões do Amazonas. Enquanto isso, as equipes continuam monitorando a situação e avaliando a necessidade de novos recursos.