Defesa Civil contabiliza 101.084 famílias atingidas pela seca em 2026. Enquanto isso, governo mobiliza 1,5 mil agentes e amplia as ações de combate às queimadas no estado.
A estiagem de 2026 já afetou 101.084 famílias no Amazonas. Segundo levantamento divulgado pela Defesa Civil estadual no domingo (18), 40 municípios estão em situação de emergência. Além disso, outros 17 permanecem em alerta e cinco estão em situação de atenção.
Dessa forma, todos os municípios amazonenses enfrentam algum nível de preocupação relacionado à seca. Ao mesmo tempo, o avanço das queimadas aumenta os desafios para as autoridades e para as comunidades afetadas.
Diante desse cenário, o governo estadual intensificou as ações de prevenção, fiscalização e combate aos incêndios florestais. Para isso, as equipes contam com o apoio de órgãos federais e estaduais.
Estiagem coloca 40 municípios em emergência De acordo com a Defesa Civil, os municípios em situação de emergência são Alvarães, Amaturá, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.
Por outro lado, 17 municípios estão em situação de alerta: Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Boca do Acre, Borba, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Humaitá, Japurá, Manicoré, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.
Já os municípios de Anamã, Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga permanecem em situação de atenção. Portanto, nenhum município do Amazonas aparece na classificação de normalidade.
Governo mobiliza 1,5 mil agentes contra queimadas Para conter o avanço dos incêndios, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) reforçou as operações em 36 municípios. Atualmente, cerca de 1,5 mil profissionais atuam nessas ações, entre bombeiros militares, brigadistas municipais e agentes federais. Além disso, as equipes contam com 96 viaturas.
Entre 1º de junho e 17 de outubro, os bombeiros registraram 3.748 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. No mesmo período, as equipes combateram 22.974 focos de incêndio. Desse total, 4.668 ocorreram na capital, enquanto outros 18.306 foram registrados no interior.
Além do reforço estadual, o Governo Federal enviará novos profissionais para apoiar as operações. Entre eles estão integrantes das Forças Armadas, da Força Nacional e mais 153 brigadistas do programa Floresta em Pé.
Outra medida prevê ampliar a frota de aeronaves mobilizadas, que passará de 11 para 16 unidades. Para isso, serão utilizados aviões Air Tractor, KC-390 e helicópteros.
Amazonas registra mais de 8 mil focos de calor Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas registrou 8.165 focos de calor até 18 de outubro. Diante desses números, as autoridades mantêm operações de fiscalização e combate às queimadas em diferentes regiões.
Nesse sentido, a Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios. Paralelamente, a Operação Amazonas+Verde desenvolve ações em outras 33 cidades.
Já a Operação Alerta Fogo fiscaliza o uso irregular do fogo com apoio de drones, viaturas e conexão via satélite. Além disso, as infrações identificadas podem resultar em multas e embargos ambientais.
A Polícia Militar do Amazonas também reforçou a presença nas áreas com maior incidência de queimadas. Para isso, cerca de 100 policiais do Comando de Policiamento Especializado atuam com 25 viaturas.
No sábado (17), por exemplo, 11 pessoas foram presas em Autazes, suspeitas de envolvimento em crimes ambientais.
Uso do fogo está proibido por 120 dias Como medida preventiva, o governo estadual estabeleceu um período proibitivo de 120 dias para o uso do fogo em todo o Amazonas. Entretanto, a regra prevê exceções nos casos autorizados pela legislação. A determinação consta no Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro.
Além disso, o estado declarou situação de emergência por 180 dias em razão dos efeitos da estiagem e dos incêndios florestais.
Publicado em 10 de outubro, o Decreto nº 55.751 contempla 36 municípios afetados por incêndios florestais. Por sua vez, o Decreto nº 55.486, de 21 de setembro, reconhece a emergência em todo o território estadual devido à estiagem agravada pelo fenômeno El Niño.
Com essas medidas, o poder público busca ampliar as ações de resposta aos desastres e acelerar iniciativas de prevenção e recuperação das áreas atingidas.
Fiscalização ambiental aplica mais de R$ 167 milhões em multas Além do combate direto às queimadas, o governo investe em monitoramento por satélite, educação ambiental e fiscalização. Entre junho e agosto, por exemplo, as atividades educativas alcançaram mais de 43 mil pessoas.
Nesse trabalho, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) utilizam imagens de satélite para identificar áreas críticas e orientar as equipes de fiscalização.
Além disso, os agentes contam com tecnologias como o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant Harpia) e drones equipados com câmeras térmicas. Dessa maneira, as equipes conseguem monitorar áreas de difícil acesso e identificar possíveis infrações ambientais.
Até meados de outubro, o Ipaam havia aplicado mais de R$ 167 milhões em multas ambientais. No mesmo período, o órgão realizou 421 embargos, que abrangem mais de 65 mil hectares.
Por fim, a Polícia Civil do Amazonas registrou, em setembro, 66 boletins de ocorrência por incêndio e outros 151 por desmatamento.
Diante desse cenário, a estiagem continua pressionando milhares de famílias e exige atenção permanente das autoridades. Ao mesmo tempo, o avanço das queimadas reforça a necessidade de prevenção, fiscalização e ações integradas para proteger a população, as comunidades do interior e o meio ambiente amazonense.