Presidente da CUT-AM afirma que proposta para televisores pode enfraquecer a produção local, ampliar importações e provocar demissões no Amazonas.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores do Amazonas (CUT-AM), Valdemir Santana, lidera a mobilização para que o Trabalhador amazonense participe da discussões sobre a alteração do Processo Produtivo Básico (PPB) para televisores com tela de cristal líquido.
Ao lado do Sindicato da Indústria de Aparelhos e Componentes Elétricos e Eletrônicos do Estado do Amazonas (Sinaees-AM), Santana encaminhou uma manifestação formal de discordância aos ministérios responsáveis pela proposta. O documento alerta para os impactos que a medida pode causar na indústria e no emprego no Polo Industrial de Manaus (PIM).
“Brasília não pode ser dona da verdade”, diz Valdemir Santana Durante a defesa da posição dos trabalhadores, Valdemir Santana fez uma crítica direta ao processo de tomada de decisão sobre o PPB e à falta de participação de quem vive a realidade industrial do Amazonas.
“Nós não somos contra discutir nada, mas como é que as pessoas que vão discutir essa questão não sabem nem onde é o estado do Amazonas, não sabem como é que é feita a produção aqui, não sabem de nada? Nós queremos discutir. Os trabalhadores aqui do Amazonas querem discutir, os empresários do Amazonas querem discutir. Nós sempre produzimos o PPB. Nós somos totalmente contra maquiagem. O que nós queremos aqui é que a discussão seja feita aqui também, e não Brasília achar que é o dono da verdade ”, afirmou o presidente da CUT-AM.
Para ele, decisões tomadas sem participação regional podem comprometer toda a estrutura produtiva construída ao longo de décadas na Zona Franca.
Valdemir Santana diz que proposta ameaça empregos Segundo a manifestação, a nova metodologia de pontuação reduz a importância de componentes fabricados no Amazonas. Entre eles estão cabos de força, chicotes elétricos e sistemas de interconexão.
Além disso, as entidades afirmam que a proposta favorece a importação de conjuntos prontos produzidos no exterior. Como consequência, fornecedores instalados na Zona Franca de Manaus podem perder competitividade.
Para Valdemir Santana, a discussão não envolve apenas aspectos técnicos.
“Não podemos aceitar uma mudança que retire competitividade da produção local e coloque em risco milhares de empregos no Polo Industrial de Manaus. A Zona Franca foi criada para gerar desenvolvimento, renda e oportunidades para o povo amazonense. Qualquer alteração no PPB precisa fortalecer a indústria local, e não estimular a importação de componentes que hoje são produzidos aqui”, afirmou.
Até 34 mil empregos estão em risco De acordo com o documento, a cadeia de componentes, cabos e interconexões sustenta entre 19 mil e 34 mil empregos diretos no Amazonas. Desse total, entre 1.800 e 3.200 vagas pertencem ao segmento de cabos e chicotes elétricos.
Além disso, o setor de interconexões eletrônicas responde por até 9,4 mil empregos. Já as empresas de manufatura eletrônica concentram mais de 21 mil postos de trabalho.
Por isso, CUT-AM e Sinaees-AM afirmam que a mudança pode provocar um forte impacto econômico e social no Amazonas.
Nova regra pode ampliar importações As entidades sustentam que as montadoras conseguirão atingir a pontuação exigida pelo PPB mesmo sem adquirir diversos componentes produzidos localmente.
Segundo os cálculos apresentados, as empresas poderão superar as metas estabelecidas utilizando etapas de maior pontuação. Dessa forma, a compra de cabos, chicotes e conexões fabricados no Amazonas deixaria de ser estratégica.
Consequentemente, a produção local perderia espaço para componentes importados.
Além disso, a CUT-AM critica a distribuição de pontos proposta pelo governo. A entidade argumenta que o modelo considera principalmente o valor dos componentes. No entanto, não leva em conta a geração de empregos e os impactos sociais da atividade industrial.
CUT-AM apresenta proposta alternativa Diante do cenário, Valdemir Santana encaminhou uma proposta à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). O objetivo é preservar a competitividade dos fabricantes locais de cabo de força.
A proposta prevê a ampliação da pontuação destinada aos componentes produzidos na região. Além disso, a CUT-AM defende a criação de uma pontuação mínima obrigatória para a compra local de cabos de força, seguindo modelo semelhante ao adotado em outros segmentos industriais.
Já a manifestação conjunta pede o aumento da pontuação da Etapa VIII, referente ao cabo de força, de 25 para 80 pontos. Também solicita a elevação da pontuação da Etapa IX, ligada aos chicotes e condutores elétricos, de 23 para 70 pontos.
Como alternativa, as entidades propõem tornar obrigatória a fabricação local do cabo de força para que as empresas tenham acesso aos incentivos fiscais previstos no PPB.
Trabalhadores querem participar das decisões Outro pedido apresentado pelas entidades é a inclusão permanente da CUT-AM nos grupos de trabalho responsáveis pela elaboração e revisão dos Processos Produtivos Básicos.
Segundo Valdemir Santana, os trabalhadores precisam participar das decisões que afetam diretamente o futuro da indústria amazonense.
“Quando defendemos a indústria do Amazonas, estamos defendendo famílias, renda e desenvolvimento para toda a região. O governo precisa ouvir quem produz e quem trabalha antes de tomar decisões que podem comprometer o futuro do Polo Industrial de Manaus”, destacou.
Defesa da Zona Franca de Manaus CUT-AM e Sinaees-AM alertam que a aprovação da proposta sem alterações poderá acelerar a substituição da produção local por componentes importados. Além disso, poderá reduzir investimentos e provocar demissões no Polo Industrial de Manaus. VEJA: