Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos afirma que a redução da jornada pode ampliar a geração de empregos, fortalecer a qualificação profissional e preparar trabalhadores para a chegada de cerca de 200 novas fábricas ao Polo Industrial de Manaus
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, afirmou que o fim da escala 6×1 pode representar uma transformação histórica para o mercado de trabalho brasileiro. Segundo ele, a medida tem potencial para gerar mais de 35 mil empregos diretos no Amazonas e ultrapassar a marca de 4 milhões de novas vagas em todo o país.
Além disso, o dirigente sindical defende que a redução da jornada de trabalho deve caminhar junto com investimentos em qualificação profissional. Isso porque o Polo Industrial de Manaus (PIM) se prepara para receber cerca de 200 novas empresas nos próximos três anos, o que aumentará a demanda por trabalhadores qualificados.
De acordo com Santana, o Amazonas vive um momento estratégico. Portanto, a combinação entre crescimento industrial, geração de empregos e capacitação profissional pode fortalecer a economia e ampliar as oportunidades para milhares de trabalhadores.
Redução da jornada pode abrir milhares de vagas Valdemir Santana lembra que a última grande redução da jornada de trabalho ocorreu em 1988, quando a Constituição Federal estabeleceu novos parâmetros para as relações trabalhistas.
Por isso, ele considera que o debate sobre o fim da escala 6×1 é necessário e urgente.
“A última vez que tivemos redução da jornada foi em 1988. Quase 40 anos sem mudança. Isso é um absurdo”, afirmou.
Segundo o sindicalista, a diminuição da carga horária exigirá uma reorganização das escalas de trabalho. Como consequência, muitas empresas precisarão ampliar seus quadros de funcionários para manter o mesmo ritmo de produção.
Além disso, diversos países já discutem ou adotam jornadas menores como forma de aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Dessa forma, o Brasil acompanha uma tendência internacional voltada para relações de trabalho mais equilibradas.
Além da geração de empregos, trabalhadores precisam de capacitação e mais saúde Diante da transformação tecnológica, Valdemir Santana afirma que a qualificação profissional deve ser prioridade. Segundo ele, o avanço da automação exige trabalhadores mais preparados para novas funções industriais.
“O mais importante é preparar os trabalhadores para essas oportunidades. Precisamos investir em qualificação para garantir que a população tenha acesso às vagas que serão abertas”, afirmou.
Além disso, o dirigente sindical destaca que o fim da escala 6×1 não envolve apenas geração de empregos, mas também saúde e qualidade de vida.
Ele ressalta que a redução da jornada pode contribuir para a diminuição de doenças ocupacionais, especialmente em atividades repetitivas.
“Por outro lado, a gente pode se qualificar e, principalmente, mais saúde para o trabalhador, evitar doenças ocupacionais, porque hoje tem muitos setores que são altamente repetitivos e causam doenças ocupacionais. As pessoas ficam doentes e não sabem por quê. É atividade repetitiva. Tem também doenças mentais associadas a isso. Então é fundamental reduzir a intensidade do trabalho nesse sentido. Além da qualificação, mas principalmente a saúde do trabalhador”, afirmou.
O dirigente também informou que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) deve solicitar uma fiscalização mais rigorosa das empresas, especialmente em atividades com alto nível de repetição.
Por outro lado, discriminação por idade ainda preocupa Apesar do cenário positivo de expansão, Valdemir Santana alerta para a discriminação por idade no mercado de trabalho.
Segundo ele, trabalhadores acima de 35 ou 40 anos ainda enfrentam dificuldades para se recolocar, mesmo com experiência e qualificação.
“Não podemos aceitar esse tipo de discriminação. O que importa é a competência do profissional”, declarou.
Ele defende maior fiscalização dos processos de contratação para garantir igualdade de oportunidades.
Enquanto novas fábricas chegam ao PIM, qualificação se torna prioridade Ao mesmo tempo em que o debate sobre a jornada de trabalho avança, o Amazonas se prepara para uma nova fase de expansão industrial.
A projeção da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) aponta a chegada de aproximadamente 200 novas fábricas ao Polo Industrial nos próximos anos. Com isso, o parque fabril amazonense poderá crescer cerca de 30%.
Atualmente, o PIM reúne cerca de 600 empresas. No entanto, a instalação dos novos empreendimentos deve ampliar significativamente a oferta de empregos em áreas como produção, logística, manutenção, tecnologia, automação e gestão industrial.
Para Valdemir Santana, esse cenário representa uma oportunidade histórica para o estado.
“Essas mais de 200 empresas que estão vindo para o Polo Industrial são muito importantes para Manaus e para toda a Amazônia. Além dos empregos diretos, elas também vão criar milhares de vagas indiretas e fortalecer diversos setores da economia”, destacou.
Além da geração de empregos, trabalhadores precisam de capacitação Diante da transformação tecnológica que ocorre na indústria, Santana afirma que a qualificação profissional precisa se tornar prioridade.
Segundo ele, as empresas buscam profissionais cada vez mais preparados para lidar com automação, digitalização de processos e novas tecnologias de produção.
Por esse motivo, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos defende a ampliação de cursos técnicos, treinamentos e programas de formação continuada.
“O mais importante é preparar os trabalhadores para essas oportunidades. Precisamos investir em qualificação para garantir que a população tenha acesso às vagas que serão abertas”, afirmou.
Além disso, Santana acredita que a redução da jornada poderá contribuir para esse processo. Afinal, os trabalhadores terão mais tempo para estudar, participar de cursos e buscar aperfeiçoamento profissional.
Consequentemente, a indústria também será beneficiada com mão de obra mais qualificada e preparada para os desafios da nova economia.
Por outro lado, discriminação por idade ainda preocupa Embora a expectativa de geração de empregos seja positiva, Valdemir Santana alerta para um problema que continua afetando milhares de trabalhadores: a discriminação por idade.
Segundo ele, muitos profissionais encontram dificuldades para conseguir emprego após os 35 ou 40 anos, mesmo possuindo experiência e qualificação.
Para o dirigente sindical, essa prática precisa ser combatida por empresas e órgãos de fiscalização.
“Não podemos aceitar esse tipo de discriminação. O que importa é a competência do profissional. A experiência acumulada ao longo dos anos representa um diferencial importante para qualquer empresa”, declarou.
Além disso, ele defende que o Ministério do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e as entidades sindicais acompanhem mais de perto os processos de contratação.
Dessa maneira, será possível garantir que as oportunidades geradas pela expansão industrial sejam acessíveis a todos os profissionais.
Ao mesmo tempo, reforma tributária fortalece a Zona Franca de Manaus A expectativa de atração de novas empresas ganhou força após a aprovação da reforma tributária.
Isso porque o novo sistema preservou os incentivos constitucionais da Zona Franca de Manaus e manteve a competitividade do modelo econômico amazonense.
Como resultado, diversas empresas passaram a avaliar investimentos na capital amazonense. Consequentemente, a região consolidou sua posição entre os principais polos industriais do país.
Além disso, especialistas apontam que a preservação das vantagens competitivas da Zona Franca aumentou a segurança jurídica para novos investidores.
O crescimento econômico exige inclusão e preparação da mão de obra Para Valdemir Santana, a chegada de novas fábricas e a discussão sobre o fim da escala 6×1 representam uma oportunidade única para fortalecer o mercado de trabalho no Amazonas.
No entanto, ele ressalta que o sucesso desse processo dependerá da capacidade de preparar os trabalhadores para as novas exigências da indústria.
Por isso, o dirigente sindical defende a união entre empresas, sindicatos, instituições de ensino e poder público para ampliar a qualificação profissional e combater práticas discriminatórias.
Assim, o Amazonas poderá transformar o crescimento do Polo Industrial de Manaus em mais emprego, renda e desenvolvimento social.
Além disso, a redução da jornada de trabalho poderá contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, aumentar a produtividade e criar milhares de novas oportunidades em todo o estado.
Dessa forma, segundo Valdemir Santana, o fim da escala 6×1 tem potencial para marcar uma nova etapa nas relações de trabalho e no desenvolvimento econômico do Amazonas.