O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia nesta semana uma visita de Estado à Índia com o objetivo de fortalecer o discurso de soberania nacional, ampliar parcerias tecnológicas e defender o multilateralismo. Além disso, a agenda inclui a assinatura de pelo menos dez acordos bilaterais, com destaque para cooperação em inteligência artificial (IA), governança digital e minerais críticos.
No sábado (21), Lula terá reunião bilateral com o primeiro-ministro Narendra Modi, quando serão anunciados oficialmente os compromissos entre os dois países. Ao mesmo tempo, a visita busca posicionar o Brasil como protagonista entre as nações do chamado Sul Global em meio à transformação tecnológica global.
Participação em cúpula internacional de inteligência artificial Antes do encontro bilateral, o presidente brasileiro participa, na quinta-feira (19), da Cúpula Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Déli, ao lado de cerca de 20 chefes de Estado e governo, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.
Nesse contexto , o evento discutirá o impacto da IA no desenvolvimento econômico, na governança global e na redução das desigualdades entre países, temas centrais da agenda brasileira. Por outro lado, o encontro também servirá para ampliar o diálogo entre economias emergentes e países desenvolvidos.
Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro Entre os principais anúncios está a Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro, considerada um acordo guarda-chuva que prevê cooperação em diversas áreas estratégicas. Em primeiro lugar, o plano inclui a criação de um centro de excelência conjunto em infraestrutura pública digital. Além disso, estão previstas ações em identidade digital, pagamentos eletrônicos e compartilhamento de dados.
Da mesma forma, o acordo contempla o desenvolvimento de uma rede aberta de IA para ação climática em países em desenvolvimento, parcerias em semicondutores e grandes modelos de linguagem, bem como acordos sobre governança da internet e inovação com respeito aos direitos autorais.
A Índia investe cerca de US$ 20 bilhões na construção de uma fábrica de chips avançados. Consequentemente, a cooperação abre oportunidades de colaboração tecnológica com o Brasil e amplia o potencial de transferência de conhecimento entre os países.
Minerais críticos e estratégia geopolítica Outro destaque será a assinatura de um memorando de entendimento sobre minerais críticos, considerado o primeiro acordo bilateral específico do Brasil nesse setor. Isso porque o tema é estratégico para a indústria de alta tecnologia, especialmente na produção de baterias, chips e equipamentos eletrônicos.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais e defende princípios como a universalidade sem exclusividade de fornecimento e o estímulo ao processamento em território nacional. Enquanto isso, para a Índia, a cooperação ajuda a reduzir a dependência da China, líder global na cadeia de suprimentos.
Defesa da soberania digital e regulação das Big Techs Durante a viagem, Lula também deve reforçar a defesa da soberania brasileira para estabelecer regras sobre plataformas digitais e empresas de tecnologia. Ao mesmo tempo, o posicionamento ocorre em um contexto internacional de tensões regulatórias envolvendo grandes empresas do setor e disputas comerciais entre potências.
O presidente ainda pretende defender o fortalecimento da Organização das Nações Unidas e da governança global da inteligência artificial. Nesse sentido, o Brasil busca ampliar sua influência internacional e promover regras mais equilibradas no ambiente digital.
Combate à desigualdade tecnológica Segundo integrantes do governo, a aproximação com a Índia faz parte de uma estratégia para evitar que países em desenvolvimento fiquem para trás na revolução tecnológica. Em outras palavras, a avaliação é que reduzir desigualdades não significa apenas combater pobreza e fome, mas também garantir acesso equitativo às novas tecnologias.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, destacou que toda a cadeia da inteligência artificial das terras raras ao software precisa ser discutida para evitar novos desequilíbrios globais. Portanto, a cooperação internacional é vista como essencial.
Comitiva ministerial acompanha presidente A comitiva brasileira inclui ministros de áreas estratégicas, como Relações Exteriores, Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Social e Comunicações. Assim, o governo reforça o caráter amplo da cooperação entre os dois países.
Perspectivas para o Brasil no cenário global A visita à Índia ocorre em um momento de reorganização geopolítica e tecnológica mundial. Dessa forma, ao fortalecer parcerias com países emergentes, o governo brasileiro busca ampliar sua influência internacional, diversificar alianças e garantir maior autonomia em setores considerados essenciais para o futuro econômico.