Pesquisa do BMJ mostra que efeitos de Ozempic e Mounjaro diminuem rapidamente após o fim do tratamento Um estudo publicado nesta quarta-feira (7/1) no British Medical Journal (BMJ) revelou que interromper o uso das canetas emagrecedoras pode acelerar o ganho de peso. Segundo a pesquisa, pessoas que deixaram de usar medicamentos como Ozempic e Mounjaro engordaram até quatro vezes mais rápido do que aquelas que emagreceram apenas com dieta.
Nos últimos anos, os remédios agonistas do receptor GLP-1 ganharam popularidade por promoverem perda de peso rápida. No entanto, os pesquisadores alertam que os efeitos não se mantêm a longo prazo. Em média, os participantes retornaram ao peso anterior em até dois anos após a interrupção.
Além disso, peso retorna de forma progressiva Após o fim do tratamento, os pacientes recuperaram cerca de 400 gramas a mais por mês quando comparados a pessoas que emagreceram com mudanças alimentares. Dessa forma, o estudo indica que o reganho ocorre de maneira constante e acelerada.
Ao mesmo tempo, os benefícios cardiometabólicos também diminuíram. Com o passar do tempo, houve piora no controle da diabetes tipo 2 e aumento nos níveis de colesterol.
Estudo analisou mais de 9 mil pacientes Para chegar aos resultados, os autores analisaram 37 estudos internacionais. No total, 9,3 mil participantes fizeram parte da pesquisa. Durante o tratamento, o acompanhamento médio foi de 39 semanas. Após a interrupção, o monitoramento continuou por mais 32 semanas.
Especialistas reforçam que não existe solução milagrosa Em editorial publicado junto ao estudo, o pesquisador Qi Sun, editor do BMJ, afirmou que medicamentos para emagrecimento não devem ser tratados como solução definitiva para a obesidade.
“Embora a perda de peso temporária traga benefícios, médicos precisam considerar a alta taxa de interrupção do tratamento. Por isso, alimentação saudável e estilo de vida equilibrado devem formar a base do controle da obesidade”, destacou.
Além disso, Sun defende mais cautela na prescrição. Segundo ele, muitos pacientes já iniciam o uso com planos de interromper o medicamento em até 12 meses.
Portanto, tratamento precisa de acompanhamento contínuo Para a professora Tricia Tan, do Imperial College London, o estudo reforça a necessidade de planejamento adequado. Segundo a especialista, o tratamento deve ocorrer a longo prazo e com suporte constante.
“Exercícios físicos e mudanças alimentares são fundamentais para evitar o reganho de peso. Além disso, o paciente precisa de apoio mesmo após interromper o uso do medicamento”, concluiu.