A ampliação da isenção do Imposto de Renda para professores da educação básica vai provocar um impacto direto e expressivo no Amazonas a partir de 2026. Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a nova regra mais do que dobra o número de docentes totalmente isentos do tributo no estado.
Antes da mudança, apenas 18,7% dos professores não pagavam Imposto de Renda. A partir da vigência da lei, esse percentual sobe para 47,2%. Assim, quase metade da categoria deixará de recolher o imposto mensalmente.
Nova lei reduz carga tributária e amplia isenção O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que amplia a faixa de isenção total para rendimentos de até R$ 5 mil mensais. Além disso, o texto prevê descontos progressivos para salários de até R$ 7.350.
Como resultado, outros 30,4% dos professores da educação básica no Amazonas terão redução nas alíquotas do IR. Desse modo, apenas 22,4% da categoria continuará pagando a alíquota máxima de 27,5%. Antes da reforma, esse grupo representava 55,3% do total de docentes no estado.
Reforma beneficia maioria dos professores no Brasil Em todo o país, a nova tabela do Imposto de Renda também gera efeitos significativos. De acordo com o Ipea, cerca de 620 mil professores da educação básica deixarão de pagar o tributo.
Com isso, o percentual de docentes totalmente isentos sobe de 19,7% para 51,6%. Além disso, outros 21,9% passam a integrar a faixa de redução do imposto. Portanto, aproximadamente 1 milhão de professores terão aumento direto na renda disponível.
Ganho anual equivale a um 14º salário Considerando a isenção total e a redução das alíquotas, a reforma alcança 73,5% dos professores da educação básica. O impacto se mostra ainda mais relevante para quem recebe salários próximos ao piso nacional do magistério, fixado em R$ 4.867,77 em 2025.
Antes da mudança, esses profissionais arcavam com a alíquota máxima de 27,5%. Agora, com a isenção até R$ 5 mil, deixam de pagar o imposto. Segundo o pesquisador Paulo Nascimento, do Ipea, o ganho médio anual chega a R$ 5.079,84. Na prática, esse valor se aproxima de um salário extra ao longo do ano.
Efeito varia conforme número de vínculos A nova tabela do IR também afeta os professores de forma diferente, conforme o número de vínculos de trabalho. Entre os docentes com apenas um vínculo e menor renda anual, 60,7% passam a ficar totalmente isentos. Além disso, outros 21,1% terão redução do imposto, o que beneficia 81,8% desse grupo.
Por outro lado, entre os professores com múltiplos vínculos, que representam cerca de 17,5% da categoria, 32,3% ficarão isentos e 26,1% terão redução. Enquanto isso, entre aqueles que conciliam a docência com outra atividade fora da educação, 40,2% não pagarão IR e 20,9% terão desconto.
Rede privada concentra maior número de isentos Embora a rede pública concentre a maior parte dos vínculos, a ampliação da faixa de isenção gera impacto mais intenso na rede privada. Após a reforma, 82,2% dos professores de escolas particulares ficarão totalmente isentos.
Na rede pública, esse percentual chega a 42,5%. Segundo pesquisadores do Ipea, essa diferença reflete a estrutura salarial do setor privado, que apresenta rendimentos médios mais baixos, maior rotatividade e jornadas parciais mais frequentes.
Metodologia usada no estudo Para elaborar a análise, os pesquisadores utilizaram dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Eles somaram os salários brutos mensais de 2022 e corrigiram os valores pela inflação medida pelo INPC até outubro de 2025.
O estudo não incluiu o décimo terceiro salário nem considerou deduções legais, como dependentes ou despesas médicas. Além disso, os autores organizaram os docentes em três faixas de rendimento anual, o que permitiu estimar com precisão os efeitos da reforma tributária sobre o magistério da educação básica. Siga o portal Amazonas 24 horas no Instagram: Clique aqui