Durante a cerimônia de sanção da reforma do Imposto de Renda, realizada nesta quarta-feira (26.nov.2025) no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender ajustes na legislação trabalhista. Além disso, ele reforçou a necessidade de rever a tributação sobre bônus salariais, especialmente a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Presidente destaca que jornada atual está defasada Lula afirmou que o país precisa atualizar regras estabelecidas há mais de oito décadas. Segundo ele, a jornada de trabalho prevista na CLT não acompanha mais as transformações tecnológicas. Por isso, ele citou a escala 6×1 e as cargas horárias tradicionais como estruturas que já não refletem a dinâmica produtiva atual.
Além disso , o presidente relacionou o avanço da tecnologia à redução de postos de trabalho. Ele relembrou sua vivência na década de 1980 e destacou que, com a robotização, muitos trabalhadores perderam emprego e, consequentemente, renda. Assim , ele argumenta que a modernização das regras é urgente.
Isenção da PLR deve voltar ao centro do debate Ao abordar o sistema tributário, Lula criticou a forma como a PLR é taxada hoje. Atualmente , valores acima de R$ 8.214 pagam Imposto de Renda, o que, segundo ele, cria uma distorção. No entanto , dividendos continuam isentos, mesmo sendo pagos majoritariamente a quem possui renda mais alta.
Nesse contexto , Lula afirmou que considera injusto que o trabalhador pague imposto sobre um bônus conquistado por desempenho, enquanto grandes investidores não sofrem a mesma tributação. Por outro lado , ele reconheceu que isentar a PLR geraria um impacto fiscal adicional.
O deputado Arthur Lira (PP-AL), relator da reforma, sinalizou que alterações na PLR podem ser analisadas futuramente. Entretanto , ele afirmou que isso exigiria um debate mais amplo, possivelmente em outro mandato presidencial.
Reforma do IR altera regras a partir de 2026 A cerimônia também marcou a comemoração da entrada em vigor das novas regras do Imposto de Renda, válida a partir de janeiro de 2026. Entre as mudanças, destacam-se:
Isenção total do IR para quem recebe até R$ 5.000;Redução da carga tributária para salários entre R$ 5.000 e R$ 7.350;Criação do Imposto de Renda Mínimo , que estabelece alíquota de ao menos 10% para rendas anuais superiores a R$ 1,2 milhão.Com isso , o governo busca ampliar a progressividade da cobrança. Além disso, o novo mecanismo pode alcançar cerca de 140 mil contribuintes com rendimentos acima de R$ 600 mil ao ano.
Lula pede cautela na interpretação dos efeitos Por fim , Lula pediu que os impactos das mudanças não sejam superdimensionados. Ele afirmou que as medidas não eliminarão problemas históricos, mas representam um avanço simbólico. Além disso, ele incentivou que as centrais sindicais mantenham pressão contínua por novas melhorias.
“É importante o sindicalista aqui lembrar que não parem de brigar, não parem de cobrar”, concluiu o presidente.
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