O presidente da Ucrânia , Volodymyr Zelensky, afirmou neste domingo (23) estar disposto a deixar o cargo caso isso resulte no fim da guerra e na entrada do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Esta é a primeira vez que ele admite a possibilidade de renúncia desde o início do conflito, que completará três anos nesta segunda-feira (24).
Durante entrevista coletiva em Kiev, Zelensky enfatizou que não pretende permanecer no poder indefinidamente.
“Se for pela paz na Ucrânia e se realmente quiserem que eu deixe meu cargo, estou pronto para isso. Em segundo lugar, posso trocar isso (a presidência) pela entrada da Ucrânia na Otan , se houver essa oportunidade”, declarou.
Pressão internacional e influência de Trump A declaração de Zelensky renúncia Otan vem após recentes pressões políticas, incluindo o pedido do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por novas eleições na Ucrânia. Trump também alegou, sem apresentar dados concretos, que o presidente ucraniano enfrenta uma crise de popularidade.
O líder ucraniano, no entanto, não esclareceu se essa possibilidade já foi discutida com Trump ou com o governo russo. Também não detalhou como funcionaria essa troca, uma vez que a Rússia exige a renúncia da Ucrânia sobre territórios ocupados – algo que Kiev recusa.
Além disso, Zelensky considerou a proposta de Trump para que os EUA explorem recursos minerais ucranianos. No entanto, ele sugeriu que, em contrapartida, Washington envie tropas para lutar ao lado dos soldados ucranianos.
Tropas dos EUA na Ucrânia? Atualmente, os Estados Unidos e países europeus enviam ajuda militar à Ucrânia, mas evitam debater o envio de tropas. O presidente russo, Vladimir Putin, já afirmou que consideraria a presença de soldados ocidentais como uma declaração direta de guerra.
Apesar das divergências, Zelensky renúncia Otan ressaltou que espera contar com Trump como um aliado da Ucrânia e não apenas como mediador nas negociações entre Kiev e Moscou.
“Eu realmente quero que seja mais do que apenas mediação… isso não é o suficiente”, disse ele.
A aproximação entre Washington e Moscou nas últimas semanas gerou protestos da Ucrânia e de países europeus, que se sentiram excluídos das negociações.
Três anos de guerra sem resolução A guerra na Ucrânia começou em 2022, quando tropas russas invadiram a parte leste do país em resposta à intenção de Zelensky de ingressar na Otan . Desde então, o conflito passou por diferentes fases, incluindo tentativas de tomada de Kiev, contra-ataques ucranianos e períodos de impasse.
Ataque atingiu a região de Dnipropetrovsk — Foto: Ministério da Defesa da Ucrânia Atualmente, cerca de 20% do território ucraniano está sob ocupação russa. Embora as forças ucranianas tenham recebido reforço com aeronaves europeias e norte-americanas no fim de 2023, a situação no campo de batalha permanece indefinida.
No final do ano passado, Zelensky apresentou ao Parlamento ucraniano um plano detalhando como o país poderia alcançar a vitória e expulsar as tropas russas. No entanto, sem apoio direto de tropas estrangeiras, a guerra segue sem uma resolução definitiva.
A possibilidade de renúncia de Zelensky marca um ponto crítico no conflito. Enquanto a Ucrânia busca apoio internacional e pressiona pela entrada na Otan , a Rússia mantém suas exigências para encerrar a guerra. Resta saber se a comunidade internacional aceitará a proposta do presidente ucraniano ou se o impasse continuará.