Um áudio atribuído a duas psicólogas do Núcleo de Terapias da rede NotreDame Intermédica, localizado ao lado do Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste de São Paulo, revelou atitudes chocantes. Durante uma sessão de terapia, que teria ocorrido na quarta-feira (12/2), as profissionais foram flagradas zombando e maltratando duas crianças autistas, segundo relato de Marcia Pereira, mãe de um dos pacientes.
O filho de Marcia, de 6 anos, é autista não verbal e realiza tratamento na unidade há dois anos. A clínica já foi alvo de diversas denúncias anteriormente, especialmente após a imposição de redução no tempo das sessões de terapia. Ouça o áudio:
Pais desconfiam de maus-tratos Marcia relata que foi o marido quem percebeu mudanças no comportamento do filho. O menino, ao chegar à clínica, começava a se esconder e entrava em crise de pânico, gritando. Para investigar o que acontecia durante as sessões, os pais decidiram gravar a terapia usando um celular escondido na mochila do garoto.
Áudio revela zombarias e comentários desrespeitosos O áudio gravado, referente a uma sessão de 40 minutos, mostra que a sala era compartilhada por duas crianças, cada uma acompanhada por uma terapeuta. Nele, é possível ouvir as psicólogas reclamando do choro, do modo de falar e até do jeito de mastigar dos pacientes.
Além disso, as profissionais fazem piadas, imitam os meninos e riem deles em diversos momentos. Após a sessão, uma das psicólogas ainda comentou com um professor de educação física da clínica sobre o hábito de um dos meninos de colocar a mão na boca. Em tom de deboche, o professor sugeriu: “Já falei para passar pimenta na mão dele.”
Mudanças no comportamento da criança Márcia também destacou mudanças drásticas no comportamento do filho nas últimas semanas. O menino, que era carinhoso e gentil, passou a apresentar crises de agressividade, chegando a bater nos pais e quebrar objetos em casa.
Preocupada, a mãe levou a criança a uma psiquiatra, que suspeita que os maus-tratos sofridos durante as sessões de terapia possam ter desencadeado um novo quadro clínico.
“Ele sempre foi uma criança amável, com vínculo com as terapeutas. Porém, no último mês, ele começou a apresentar um comportamento completamente diferente: ficou agressivo, teve crises de grito, e até convulsões que não tinha há seis meses voltaram a ocorrer”, contou Márcia.
Além disso, a mãe afirmou que o filho chegou em casa machucado pelo menos três vezes recentemente.
Repercussão e investigação O caso tem gerado revolta nas redes sociais, com diversas pessoas cobrando um posicionamento da NotreDame Intermédica e das autoridades. O Conselho Regional de Psicologia (CRP) foi acionado para investigar a conduta das profissionais envolvidas.
É fundamental que casos como esse sejam apurados com rigor, garantindo a proteção das crianças e o respeito aos direitos dos pacientes.